Eu esperava calmamente no balcão da Gol enquanto o saguão do aeroporto ia lotando, lotando e lotando. O tal do sistema - sempre lento ou fora do ar - contribuia bastante. O guichê comumente abarrotado de humanos com suas respectivas bagagens não estava diferente.
À minha frente, um senhor, de bigodinho, cantava irritantemente sem parar.
Eis que surge posterior a mim um sujeito desconfiado, de pequena estatura - verticalmente - porem muito largo, rechonchudo - e cabeçudo também, daí então minha desconfiança por sua naturalidade, provavelmente cearense.
- Mocinha, é aqui que faz o chequin?
Só podia ser um blefe. Todo mundo sabe que não se faz check-in no balcão de informações, óbvio.
Gentilmente uma das atendentes apontou-lhe o guichê de check-in da Gol.
Não demora muito e o infeliz volta.. Dessa vez já há um gerente da companhia no balcão.
- Eu queria fazer o chequin dessa pessoa - diz o baixinho, entregando ao gerente uma carteira de motorista que não era sua
- Desculpe, senhor, check-in só com a presença do passageiro
- Mas é pro DEPUTADO - falou como se grifasse a palavra - fulano de tal
- Mas nós não fazemos check-in sem a presença do passageiro - retrucou o gerende dando pouca importância ao puxa-saco-comissionado e ao cargo do seu patrão-dono-do-mundo
- Como assim, vocês não fazem? O deputado só pode chegar na hora do vôo!! Ele vai perder o vôo? Ele vai perder o vôo?? - insiste o pequeno homem, num tom de abuso quase insuportável
- Sim, ele vai perder o vôo! - responde o gerente, com uma paciência beirando o desdém
Já irritado, o baixinho solta a franga..
- Olha, eu sempre comprei passagem da Gol, agora NUNCA MAIS vou comprar de vocês! Ainda vou fazer propaganda da Tam e dizer que a Gol é uma péssima empresa, viu?!
- Ao seu dispor, senhor - sorri o gerente
O baixinho vai embora com um malote enorme, provavelmente cheio de cuecas com dólares ou pilhas de papéis comprometedores.
O bigodinho que cantava e dançava à minha frente não perde a piada:
- Posso fazer o chequin do meu avô que morreu há doze anos?
- Se ele for deputado, não!
Não cabem nem comentários. Ser deputado em Roraima é sinônimo de semi-deus. Não enfrentam filas, fazem pouco caso da ordem e direitos alheios, num sinal evidente de como desrespeitam a moral e a ética tanto no trabalho(graaaande trabalho) quanto nos afazeres mais simples. Mas, como diria a petista, ministra do turismo: relaxa e goza que os transtornos vão embora!
Tsc, tsc. Alguém ainda acredita em óleo de peroba? Não?
Às favas com os escrúpulos de consciência, então!
Nota 1: o nome do deputado foi omitido por questões óbivias, mas da próxima vez ele não me escapa.
Texto por João Sem Braço, psicografado por Cristofer Floco.
(João é uma alma penada que não se cansa em falar mal dos outros, sem peso na consciência)
sexta-feira, junho 15, 2007
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5 comentários:
Recém saída de uma leitura Jaborlistica, pensei em falar sobre a pérola da semana, proferida pela integrante da máfia PT. Mas você foi ráááápido no gatilho, parabéns.
E isso é no Brasil inteiro, que tem tantos deputados que pra nada servem, só pra aumentarem o proprio salário.
;*
Nossa, muito bom o texto! É meu bem, e isso não é de hoje, nem de ontem, e infelizmente não vai acabar manhã!
aff
Esse cara quer vender camisa a qualquer custo.
Agora que eu reparei o "lucicana"
ahauahuahue.
de quem foi a ideia?
deputado ou politicos em geral só não são mais bem tratatos e priorizados do que Sua Santidade - O Papa.
por mim morre tudinho.
morre mesmo.
bleeerh.
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